iMasters InterCon 2008

Neste sábado, 25 de outubro, ocorreu a quinta edição do iMasters InterCon, um dos maiores eventos de Internet do Brasil. O evento reuniu mais de 800 pessoas no teatro do Shopping Frei Caneca em São Paulo.

Minha primeira participação no InterCon foi em 2005, onde tive o prazer de assistir a uma palestra do Luli Radfahrer, a quem aprendi a admirar e respeitar as palavras, afinal o cara é fera. Na edição de 2006 o cara estava lá de novo, e foi o que me bastou para participar. Em 2007 foi o apresentador oficial do evento, e tornou as coisas um tanto quanto divertidas.

Então chega 2008, este ano ele dividiria o palco com o Fábio Seixas, mas não era só o palco que ele ia dividir, ia dividir o evento inteiro. Ele foi o responsável pela criação do FF08, um ciclo de palestras rápidas, em duplas, que criaria uma experiência única com os presentes. Dividindo o mesmo palco entre 2 apresentações completamente diferentes, permitindo que o público através dos aparatos tecnológicos ouvisse qual quisesse, ou ainda, ouvisse as 2 oficinas externas. Mas, será que isso funciona?

Palestras Simultâneas

As primeiras edições do InterCon tinham salas e palestras simultâneas, você pulava de uma pra outra e assistia o que quisesse. Eles viram que não dava certo, e restringiram a você escolher uma única sala, ou de programação ou de design. Isso também não dá muito certo, as vezes você simplesmente quer ver tudo, mesmo que não seja sua área.

Então na edição de 2007 eles fizeram um evento com 2 dias de duração. Já no espaço Frei Caneca, um belo crescimento em infra-estrutura. O evento do ano passado foi perfeito! Não tenho do que reclamar, mas em 2008… voltam as palestras simultâneas!

Eu particularmente sou contra palestras simultâneas! Acredito que uma palestra é igual ou tão parecido quanto um episódio de uma série de TV. Se você perde uma parte, ou um episódio, você demora muito tempo para ter o raciocínio de volta. O que foi mesmo que aconteceu com aquele sujeito? E até você descobrir, já se passou outro episódio, virando uma bola de neve e te fazendo desistir de continuar acompanhando a saga.

Desde 2002 organizo um evento de nicho, uma espécie de congresso de cabeleireiros. Cada nova edição tem cerca de 800 profissionais, que desembolsam quase mil reais para participar. Nos primeiros anos, oferecíamos diversas salas com conteúdos variados, e sempre uma sala ou outra ficava lotada, ou completamente vazia.

Uma sala mega lotada é um desrespeito ao participante, uma sala mega vazia é um desrespeito ao palestrante. Então optamos por reunir todos os profissionais presentes e apresentar o mesmo conteúdo para todos, desde que sejam relevantes. Se o profissional não está interessado, ele sai da sala e vai fazer o tal do “networking”, tão importante nestes eventos, seja de qual ramo for.

Mas, como foi o evento?

O evento estava programado para começar as 9hs, o credenciamento iniciava as 8h20, eu cheguei por volta de 8h40 ao local, já mega lotado. O credenciamento este ano foi hiper tranquilo, ao contrário de outras edições, ponto a favor.  Por volta das 9 horas liberaram o acesso ao segundo piso para a retirada dos radinhos, que fariam a divisão da frequência das palestras simultâneas (esquerda canal 1, direita canal 2, externo canal 3 e 4 e ainda tinha uma rádio rolando).  E aí abriram a porta do Inferno, literalmente.

Mais de 800 pessoas, com suas “mini-mochilas” nas costas, se degolaram para chegar a bancada e retirar o seu radinho. Não havia uma organização, claro, as portas do teatro ainda não estavam abertas. Depois de quase 20 minutos de um calor e muvuca digno de horário de pico em transporte coletivo de São Paulo, uma viva alma saiu para acalmar os ânimos.

“Pessoal, pedimos desculpas, estamos com um problema no áudio e logo iremos liberar a sala para vocês”. Concordo que problemas técnicos ocorrem, Murphy nem sempre é muito sensato, mas pedir desculpas depois de meia hora de desconforto não era o suficiente. Tinha gente quase desmaiando na multidão. Atrasos são toleráveis desde que você fique confortavelmente esperando, bem que poderiam abrir as portas para as pessoas enquanto realizavam os últimos testes, já que o lobby do teatro não aguentava o número de gente, quem dirá o ar condicionado.

Depois de meia hora de atraso, finalmente abriram as portas do salão. E aquele exército de formiguinhas nerds foi entrando e tomando espaço. Agora sim, confortavelmente, aguardavam o início do espetáculo, sentados e com um ar condicionado decente. Mas, o melhor ainda estava por vir…

O que passou?

Claro que inovar significa assumir riscos. Colocar a cara a tapa para fazer um evento diferente é bacana, mas é preciso também contar com um pouco de sorte. E ela não esteve presente durante o evento. A parte técnica foi um tremendo problema para os organizadores. Os canais de áudio não funcionavam como deviam, um invadia o canal do outro.

O palestrante da esquerda brigava com o da direita, e entre trancos e barrancos demos umas boas risadas até. Parecia erro de gravação de qualquer sitcom ou programa de TV. Mas, não vamos a eventos para rir somente, o importante é absorver conteúdo, sugar ao máximo o potencial do palestrante que está ali na frente. Sim, tivemos boas palestras! O Sergio Mugnaini, da Almap, novamente arrasou, uma palestra rápida e objetiva! Outros personagens como o Cris Dias, Stelleo Tolda, o grupo Fat 5, Manoel Lemos, Ariel Alexandre, Daniel Heise e o Frederick van Amstel também mandaram ver!

Infelizmente, não pude acompanhar todas as palestras, por conta de tanta tecnologia! Ou eu olhava pra um lado, ou para o outro. Não conseguia fixar a atenção nos 2 ao mesmo tempo. Por mais que eu navegue em abas, use o computador vendo TV, jogue videogame ouvindo música, ainda não consigo ler um livro cozinhando e ler uma palestra ouvindo a outra! Sinceramente? Não dá!

Acho que faltou um pouco de feeling da organização na escolha do local, no site do teatro diz que há capacidade para 620 pessoas SENTADAS! Havia mais de 800 pessoas no evento, a área para exposição estava abarrotada e o lobby idem. Tinha gente sentada nas escadas, mesmo com um monte de gente na área para o “networking”.

Alguns defenderam que o teatro só foi liberado na noite anterior. Oras, há tanto lugar em São Paulo para fazer evento, que arrumassem uma área bacana para um deste porte! Saí, sim, frustrado do evento! Esperava muito mais do Intercon 2008, dada a evolução constante dos anos anteriores.

Mas, ainda assim acredito no potencial do evento e espero ser surpreendido no ano que vem. Com uma organização impecável, com um local mais apropriado e uma solução melhor para tanta “interação simultânea”. Ainda considero o Intercon o melhor evento de Internet do Brasil, espero não me decepcionar novamente, senão não terei outro evento para ir, o resto é mais do mesmo.

Abraço a todos e desculpem o post gigante!


Trackbacks & Pingbacks

  1. Chega de medalhões, chega de máscaras. | André Persil pingbacked Posted 29 de outubro de 2008, 22:59

Comments

  1. Quote

    É Diego.

    Suas palavras mostram o quanto foi decepcionante pra você e pra meio mundo.

    Esse ano o Intercon foi um evento de networking.

    Nada mais. :)

    ps: Ah.. ganhei uma camisinha de morango do camiseteria :D

  2. Quote

    Este ano fiquei ‘exilado’ – por vontade própria dos eventos relacionados a Internet, mas depois de tanto ler as críticas ao Intercon, sinto que deveria ter ido pelo menos a este.

    Não que a minha impressão sobre o evento se dê por causa da amizade e respeito que tenho com algumas pessoas da organização, nem pela profunda admiração ao Luli, mas por ver que alguém, assim como eu, já está enfadado de tantos Medalhões (hoje eu termino um artigo no meu blog a respeito) que idiotizam e mediocratizam a internet brasileira e tudo que envolve a mesma.

    É triste ver que faltou infra pra suportar o modelo, mas é gratificante ver que ainda temos vida inteligente, contestadora e provocadora na terra de banguelas que a internet brasileira vem se tornando.

  3. Quote

    nooooooooooooooossa deve ter sido de mais

    nem deu pra eu ir, droga =/

    uhauhahua, ABS!

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