Manter ou não manter as muletas, eis a questão!

Hoje pela manhã lendo meus feeds matinais me deparei com o seguinte artigo “Alguém ainda se importa com o Internet Explorer 6.0?” escrito pelo Rafael Fischmann no MacMagazine.

Ele começa o texto mostrando um comparativo entre a renderização da página do portal MSN Brasil entre o Safari, o Firefox e o Internet Explorer 6.0 no Windows. E desenvolve um questionamento sobre a necessidade de ainda nos irmportarmos com o Internet Explorer 6.0, com base nas estatísticas de acesso do seu blog.

Prontamente fui ao Google Analytics fazer um comparativo entre os acessos dos usuários do portal da empresa onde trabalho. O site em questão é um portal de conteúdo do segmento de beleza, focado em profissionais de salão de beleza(cabeleireiros, manicures, maquiadores etc.)

Há um ano atrás, 92% dos acessos eram feitos com o Internet Explorer, sendo 80% pelo IE 6 e 20% pelo IE 7. Hoje, o navegador dominante ainda é o da Microsoft, com 83% dos acessos, sendo que agora 50% utilizam o IE 7 e 50% ainda utilizam a versão anterior.

Vejam bem, após um ano ainda tenho cerca de 40% do público total do portal da empresa utilizando o Internet Explorer 6. Por mais que dê um trabalho danado fazer um código compatível com essa versão do navegador, eu não posso simplesmente ignorá-la. Ainda não.

Mas, quando então poderemos passar a ignorá-la? Ou então, como poderemos auxiliar o usuário nessa transição para a versão mais nova do navegador da Microsoft? Ou para um Firefox, Opera ou Safari da vida.

A base central do texto do Rafael era “porque nos preocuparmos com o navegador se nem a Microsoft se preocupa com essa versão”. Acho que a resposta para esta pergunta é fácil.

O fato da Microsoft não se preocupar com estes usuários, é que ela, na condição de produtora do software, é obrigada a convencer aos usuários a se atualizarem. Logo, se ela der suporte ao software anterior, as pessoas não vão procurar se atualizar.

Agora, no ponto de vista do usuário, o que levaria ele a atualizar o seu navegador?

O MacMagazine é um blog sobre tecnologia, quem acessa são usuários ou simpatizantes com a plataforma Apple. Teoricamente são pessoas bem relacionadas com tecnologia e que “cuidam com carinho” do seu computador. São predispostas a se atualizar e a atualizar os programas das máquinas. Seria realmente preocupante se esse perfil de usuário ainda usasse, em sua maioria, o IE 6.

Vamos pegar então o público do site da empresa onde trabalho. São pessoas de baixa escolaridade, com pouca familiaridade com tecnologia, para não dizer nenhuma. Se instalar o programa da câmera digital já é um problema, imagine atualizar o navegador.

Como podemos então convencer ou auxiliar estas pessoas para que elas procurem atualizar ou instalar um navegador diferente? Já que para a maioria desse público, a internet começa no ícone do “ezinho” que fica na área de trabalho.

Se simplesmente tirássemos as muletas, oferecendo um site bugado para o IE6, o usuário perceberia que há algo errado? Se sentira incomodado? Mudaria de navegador ou pro site do concorrente que ainda fica bonitinho?

Gostaria muito de ter a resposta para esta pergunta, enquanto não descubro gostaria de saber a sua opinião. Como fazer para instruir este usuário de que ele usa um programa obsoleto e que tem que ser atualizado?


Comments

  1. Quote

    Diego, obrigado pelo feedback e por dar continuidade à discussão. Talvez não tenha ficado claro que a minha idéia não for generalizar o posicionamento de webdesigners perante os dados estatísticos do MacMagazine, tanto é que deixei bem claro que os nossos fogem completamente à média de indústria. Concordo plenamente contigo de que, a depender do público-alvo do site em questão, ele tenha mesmo que ser compatível com a plataforma mais utilizada pelos seus usuários, caso contrário está fadado ao fracasso. Ao mesmo tempo, essa conformidade quanto à ignorância das pessoas em não atualizarem suas máquinas e softwares tem que ser contornada de alguma forma, caso contrário esse ciclo nunca será quebrado, salvo quando os PCs que já vieram com o IE 6.0 começarem a se deteriorar, desmanchar e tais indivíduos não terem outra opção senão adquirir um novo que já venha com a versão 7.0 ou 8.0. Veja o caso da resolução 800×600: finalmente, ela hoje é minoria absoluta e, salvo raríssimas exceções, todos hoje podemos desenhar sites para 1024×768 tranqüilamente. Demorou, mas chegou. Abraços!

  2. Quote

    Grande Mascarenhas,

    Parabéns pelo post.
    Essa é uma discussão tem um grande leque de possibilidades e muitas pessoas darão soluções diferentes.

    Eu acho que uma das soluções mais respeitosas aos usuários seria continuarmos desenvolvendo projetos acessíveis à plataformas defasadas e sempre exibindo ícone para download do IE 8, do Firefox e assim por diante.

    Se na maioria dos websites tivesse aquele ícone pra download do Firefox, por exemplo, uma hora o usuário, por mais teimoso que seja, será seduzido e instalará o software na sua máquina.

    As coisas por aqui são assim mesmo, o Brasil está sempre atrás.
    Mas tudo muda com o tempo, devagar, mas sempre.
    Como o Fischmann disse no comentário, a resolução 800×600 era um belo empecilho para websites maiores, hoje em dia ela é minoria, depois de muito tempo.

    É questão de esperar e ver as coisas mudarem.
    O Firefox já tomou bastante mercado do IE, as pessoas estão se familiarizando mais com o mundo digital e as coisas irão acontecer. Só depende de nós pra que aconteça mais rápido.

    Bom, é isso.

    Parabéns mais uma vez.
    Começou o blog com pé direito.

    Sucesso!

    Um grande abraço,
    Felipe Gomes.
    http://www.felipegomes.com.br

  3. Quote

    Eu ainda não entendi porque tem tanta gente que ainda utiliza o IE6, ainda mais aqui no “brazil” onde tudo que é novidade todos querem ter.

    Também ainda não entendi o porque a MS não “obriga” a atualizar a versão da porcaria do IE, assim como acontece com o msn, não seria simples “sua versão do Internet Explorer esta desatualizada, clique aqui par instalar a nova versão”

    Nós como desenvolvedores temos mesmo a obrigação de nivelar por baixo? As pessoas só começaram a alterarem as resoluções para 1024 quando começaram a surgir sites feitos para a aprtir de 1024, será que o mesmo não se aplica ao navegador?

    Quando a criatura perceber que não esta conseguindo mais acessar as páginas por causa do seu navegador ele irá correndo trocar!

    Abs!

  4. Quote

    Comentar num primeiro post do blog de um cara que não é conhecido meu: que coisa rara!

    Nenhuma página é mais acessada do que a página do e-mail. Acho que ali está a melhor maneira para de alguma forma solicitar a mudança. O Gmail, por exemplo, oferece mais recursos para quem tem um navegador melhor e, na minha opinião, acerta em cheio nessa questão! Para usuários com navegador mais antigo, ele tem aquele basic html. E quem quer ficar no básico? Percebo que a melhor estratégia para fazer o seu público mudar é essa: oferecer duas versões do site, uma básica e uma mais legal, melhor, colorida, rápida para quem atualizou o navegador. Você diz para o visitante diretamente: “Olha, você tem esse navegador aí, mas se você tiver o outro, que inclusive é grátis, ou só atualizar o seu, você imediatamente estará em contato com uma tecnologia mais avançada etc”. O visitante irá quer o melhor, claro, e também irá se convencer porque, cliente ou não, ele também sempre tem razão.

    Para o site da sua empresa poderia usar essa estratégia: dizer para o visitante que ele tem um navegador do passado e que seria interessante ele trocar, e aí oferecer a recompensa além fazê-lo enxergar que “ganha mais internet” com a atualização. Isso numa frase, claro. Mas sem bloquear o site se ele não quiser, mesmo porque pode ser que por culpa de seu hardware ele não possa ter um sistema operacional que aceite os novos navegadores.

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